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- Nutrição e atividade física
Nutrientes e suplementos para melhorar o rendimento físico A nutrição desempenha um papel fundamental na evolução do desempenho físico e na recuperação muscular após os treinos. Sim, uma alimentação adequada pode melhorar os resultados, promover o ganho de massa muscular, acelerar a recuperação e ajudar a evitar lesões. A seguir, são apresentados os principais alimentos e nutrientes que devem ser priorizados: Carboidratos Os carboidratos são a principal fonte de energia durante o exercício, especialmente os de alta intensidade porque eles ajudam a manter os níveis de glicogênio muscular, que é essencial para o desempenho. Um estudo publicado no Journal of Applied Physiology mostrou que o consumo de carboidratos pós exercício ajuda a restaurar os níveis de glicogênio muscular de forma mais eficiente, o que é fundamental para sessões repetidas de exercícios intensos. Alimentos: batata-doce, arroz integral, quinoa, frutas (banana, maçã, laranja), aveia... As gorduras saudáveis ajudam a reduzir a inflamação e facilitam a absorção de certas vitaminas essenciais para a recuperação muscular. No entanto, elas devem ser consumidas com moderação e em momentos adequados. Pesquisas publicadas no Journal of the International Society of Sports Nutrition sugerem o consumo das gorduras saudáveis, especialmente ácidos graxos ômega-3 (encontrados em peixes como atum, sardinha e salmão). Também devem ser ingeridos leguminosas como nozes e amêndoas, que têm propriedades anti-inflamatórias e podem ajudar na recuperação muscular após exercícios extenuantes. Proteínas As proteínas são essenciais para a recuperação muscular e a síntese de novas fibras. Elas ajudam na reconstrução e no fortalecimento dos músculos. Um artigo do American Journal of Clinical Nutrition demonstrou que o consumo de proteínas de alta qualidade dentro de 30 minutos a 2 horas após o exercício melhora a síntese proteica muscular, promovendo a recuperação e o ganho de massa magra. A quantidade ideal geralmente gira em torno de 20 a 30g de proteína. É bom lembrar que, para muitas pessoas, o consumo de grandes quantidades de proteína pode ser desnecessário, se elas já seguem uma dieta equilibrada. Alimentos: ovos, frango grelhado, peixe, leguminosas (lentilhas e feijão) e iogurte grego. Creatina A creatina, um aminoácido que vem se tornando cada vez mais utilizado, é um dos suplementos mais consumidos por quem deseja aumentar a força e a resistência e auxiliar na recuperação muscular, pois melhora a eficiência da síntese de proteínas. Ela auxilia na regeneração do ATP, a principal fonte de energia para esforços de curta duração. De acordo com uma meta-análise publicada no Journal of Strength and Conditioning Research , a suplementação com creatina melhora significativamente a recuperação muscular e o desempenho em treinos de alta intensidade, facilitando a retenção de água nos músculos, o que pode aumentar o volume muscular (hipertrofia). Sendo assim, a longo prazo, isso pode contribuir para o aumento de massa magra, principalmente quando combinado com treinamento de resistência, ou seja, exercícios de força. Nosso corpo absorve cerca de 2 gramas de creatina por meio dos alimentos todos os dias, e o restante da demanda vem de alimentos sintetizados pelo fígado a partir de aminoácidos. Esse suplemento está sendo estudado como um possível aliado na prevenção e no tratamento de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, Parkinson e Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), e na redução dos sintomas da depressão e ansiedade em atletas. A creatina monohidratada continua sendo a mais recomendada em estudos devido à ampla base de pesquisa que confirma sua eficácia e segurança. É uma das melhores opções para ganho de massa muscular. A prescrição segura recomendada é o consumo de 3 a 5g por dia. Pode ser tomada após o treino. E não se esqueça de se hidratar bem! Fontes de suplemento: creatina monohidratada (suplemento), carnes vermelhas, ovos, frango, leite e derivados. Bebidas proteicas e batidos pós treino Uma pesquisa publicada no Journal of Nutrition and Metabolism mostrou que shakes com proteínas e carboidratos podem melhorar a síntese de proteínas musculares de forma eficiente e promover a recuperação. Dependendo do tipo de exercício, nível de treinamento e necessidades individuais, pode ser interessante considerar o uso de misturas de proteínas e carboidratos líquidos, como shakes proteicos, que são uma opção conveniente para consumir logo após o treino. Opções: whey protein com banana, leite de amêndoas e aveia. Hidratação A hidratação é fundamental para o desempenho físico e para a recuperação muscular. O Journal of Sports Sciences destaca a importância da reposição de eletrólitos, especialmente após exercícios de longa duração, para evitar a desidratação e melhorar a recuperação. Bebidas: água de coco, banana (rica em potássio), água, bebidas isotônicas (as alternativas naturais, como a água de coco, têm sido promovidas como opções mais saudáveis e menos processadas). A alimentação deve ser ajustada de acordo com os objetivos individuais, tipo de exercício e intensidade dos treinos. Embora muitos alimentos e suplementos possam ajudar no desempenho físico e na recuperação pós-treino, é importante lembrar que os resultados podem variar de pessoa para pessoa. Consultar um nutricionista é sempre recomendado para adaptar o plano alimentar às necessidades específicas. Resgate o jornalismo assinando a Revista Timeline, clique no botão abaixo Izabella Drummond - Nutricionista Clínica (Crn: 9-26181); Graduada pela universidade UNI-BH (Centro Universitário de Belo Horizonte). Pós-graduada em Nutrição Clínica pela Universidade São Camilo. Pós-graduada em Obesidade e Emagrecimento pela Universidade Veiga de Almeida. Atuante na área de nutrição clínica, hospitalar e gestão na área de nutrição.
- Suplementação: o que você realmente precisa saber sobre o Magnésio L-treonato
Mineral é fundamental para mais de 300 reações do organismo humano O magnésio L-treonato é um suplemento que pode aprimorar o funcionamento do organismo e, por isso, está se tornando cada vez mais conhecido no Brasil e no mundo. Ele participa de mais de 300 reações do nosso corpo. O Brasil é um país no qual o solo é muito deficiente em magnésio. Somente por meio da alimentação nós não conseguimos alcançar os níveis suficientes desse mineral. A suplementação é utilizada para garantir que o organismo vai receber uma quantidade diária adequada de magnésio. Assim, o corpo poderá utilizá-lo tranquilamente e funcionar bem. O suplemento que combina magnésio com treonato, um derivado do ácido treônico, facilita a absorção do mineral pelo sistema nervoso central. Segundo uma pesquisa do Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos, o magnésio L-treonato se concentra no cérebro e, consequentemente, reconstrói as conexões neuronais e favorece a neuroplasticidade, a capacidade do órgão se manter flexível para o aprendizado, a função cognitiva, a memória. A principal diferença do magnésio L-treonato para outras formas da substância é sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica. Ele consegue alcançar o cérebro de maneira muito mais eficaz. Seu uso é particularmente benéfico para a saúde mental. Outras formas de magnésio não possuem a mesma habilidade, tanto na absorção quanto na penetração no sistema nervoso central. Este importante mineral contribui para melhorar a qualidade do sono, melhorar a memória, potencializar a absorção de vitamina D e diminuir a ansiedade, já que influencia a regulação do GABA, um neurotransmissor que ajuda a controlar o estresse. O consumo diário pode variar entre 400 mg e 600 mg, e deve ser sempre avaliado por um nutricionista, considerando os níveis de magnésio no sangue e possíveis deficiências. Para garantir uma melhor absorção pelo organismo, é aconselhável dividir a dose em dois ou três momentos ao longo do dia. O magnésio L-treonato é geralmente seguro nas dosagens apropriadas, mas algumas condições de saúde exigem monitoramento. Apesar de seus benefícios, o mineral pode apresentar interações com alguns medicamentos e suplementos, exigindo cuidados especiais ao ser incorporado à rotina. O magnésio pode potencializar o efeito dos anti-hipertensivos, levando a uma queda excessiva da pressão arterial. Pessoas com doenças renais, cardíacas, que fazem uso de diuréticos, ou que sofrem de diarreia frequente ou síndrome do intestino irritável também precisam ser cautelosas. Resgate o jornalismo assinando a Revista Timeline, clique no botão abaixo Izabella Drummond - Nutricionista Clínica (Crn: 9-26181); Graduada pela universidade UNI-BH (Centro Universitário de Belo Horizonte). Pós-graduada em Nutrição Clínica pela Universidade São Camilo. Pós-graduada em Obesidade e Emagrecimento pela Universidade Veiga de Almeida. Atuante na área de nutrição clínica, hospitalar e gestão na área de nutrição.
- As origens do Jiu-Jítsu – Parte 2
Essa luta foi criada na Índia? A resposta a essa pergunta no subtítulo é um retumbante "NÃO". Mas por que tantos mestres e professores insistem em afirmar isso? A razão é simples: há uma grande confusão entre fatos históricos, tradições orais sem comprovação científica, mitos e lendas que foram perpetuados ao longo do tempo. Vamos então aos fatos. A origem das artes marciais é uma questão complexa e praticamente impossível de determinar com precisão. Se considerarmos que o termo "arte marcial" se refere ao treinamento de soldados para a guerra, essas práticas surgiram em diferentes culturas, em épocas e contextos distintos. Sabemos que quase todos os povos antigos tinham algum sistema de combate corpo a corpo, mas a documentação mais antiga aponta a Índia e a China como berços de várias artes marciais milenares. Na Índia, duas das artes marciais mais antigas conhecidas são o Kalari Payattu e o Vajra Mushti. O Kalari Payattu ("payattu" significa treinamento de combate; "kalari" se refere ao espaço ou ginásio no qual ele é praticado) era muito comum principalmente na região de Kerala, e sua origem remonta a mais de 3.000 anos. A prática envolve técnicas de luta armada e desarmada, além de um componente espiritual, com ligações com o hinduísmo e o budismo. Já o Vajra Mushti ("vajra" significa cetro ou arma divina; "mushti", golpe ou soco) era uma técnica de luta desarmada praticada pelos guerreiros da casta Xátria. A Índia se tornou uma sociedade rigidamente estratificada depois das invasões dos arianos, absorvendo a religião e as tradições desses povos, inclusive suas artes de combate. Segundo a hipótese mais aceita por acadêmicos, os arianos, povos indo-europeus das estepes da Ásia Central, invadiram o norte da Índia por volta de 1.500 a.C., estabelecendo o sistema de castas e introduzindo a religião védica. Eles trouxeram consigo técnicas de combate que, com o tempo, foram incorporadas e adaptadas às tradições locais. Esses métodos de luta, transmitidos de geração a geração, poderiam ser algumas das mais antigas formas de combate corpo a corpo metodizadas conhecidas. Já na China, as referências às artes marciais são igualmente antigas e repletas de simbolismo cultural. O Jiao Di (角抵) é uma das mais antigas formas documentadas de combate chinês. Originado durante a dinastia Xia (2.070 a.C. - 1.600 a.C.), Jiao Di era uma forma de luta que envolvia o uso de capacetes com chifres e na qual os competidores tentavam derrubar seus adversários. Ao longo dos séculos, esse combate evoluiu para o Shuai Jiao (摔跤), uma luta de arremesso e projeções que tem semelhanças com o judô e o jiu-jítsu, mas com raízes muito mais antigas. O ideograma para Shuai (摔) significa "jogar no chão", e Jiao (跤) significa "arremesso", destacando a ênfase da técnica em quedas e controle do oponente. Estas formas de combate corpo a corpo eram usadas tanto em batalhas quanto em competições, e são documentadas desde a dinastia Zhou (1.046 a.C. - 256 a.C.). O Shuai Jiao foi amplamente praticado pelos exércitos da dinastia Han (202 a.C. - 220 d.C.) e continua a ser uma parte importante da cultura marcial chinesa, rivalizando em antiguidade com as artes marciais indianas. Voltando ao mito de que o Jiu-Jítsu teria origem na Índia, podemos entender de onde essa confusão se origina, ao examinarmos a relação entre a Índia, a China e o Japão no contexto da disseminação do budismo. Siddhartha Gautama, o Buddha (563 a.C. - 483 a.C.), nasceu como príncipe da casta Xátria, e é provável que tenha sido treinado em artes marciais como parte de sua educação. Após sua "iluminação", ele renunciou à violência, mas isso não impediu que muitos monges budistas, em tempos posteriores, adotassem as artes marciais para autodefesa durante suas peregrinações. A chegada do budismo à China é um ponto crucial nessa história. Acredita-se que o budismo tenha sido introduzido na China por volta de 25 d.C., durante o reinado do imperador Ming, da dinastia Han do Leste. Com essa chegada, houve um sincretismo entre o budismo, o confucionismo e o taoismo, bem como entre estilos de artes marciais chinesas, como o Kung Fu (Wu Shu). O famoso 29º patriarca do budismo, Bodhidharma (Ta Mo em chinês, Daruma em japonês, 440 d.C. - 528 d.C.), é amplamente creditado como o responsável por conectar o budismo à prática marcial. Ele viajou para a China por volta do século V e se estabeleceu no famoso Templo Shaolin, onde fundou a escola de Kung Fu Shaolin e o budismo Chan, que mais tarde se tornou o Zen no Japão. A partir daí, várias tradições marciais e espirituais se interligaram, e é provável que essa associação entre monges budistas e artes marciais tenha levado à ideia errônea de que o Jiu-Jítsu teria nascido na Índia. No entanto, o Jiu-Jítsu, tal como o conhecemos, tem suas raízes no Japão feudal, desenvolvido por samurais durante o período Heian (794 - 1185 d.C.) e refinado ao longo dos séculos seguintes. O termo "Jiu-Jítsu" aparece pela primeira vez nos anais da história do Japão por volta do século XVI, durante a guerra civil japonesa (período Sengoku). Jiu-Jítsu (柔術) significa "arte suave" e reflete o princípio de utilizar a força do oponente contra ele, algo que difere das formas de combate mais brutais e diretas vistas em outras culturas. Portanto, por conta da intensa influência cultural e religiosa da China no Japão (até os ideogramas são os mesmos), pode-se dizer que as artes marciais japonesas têm em seus "DNAs" genes originários da Índia e, mais fortemente, da China. CARLOS LIBERI – Mestre de Jiu-Jítsu, faixa-coral (sétimo grau); membro do Conselho Diretor da Gracie Barra Flórida, instrutor-chefe da GB Sanford e da GB Campinas. Especialista em história e filosofia das artes marciais pelas Faculdades Integradas de Santo André (FEFISA). Resgate o jornalismo assinando a Revista Timeline, clique no botão abaixo
- Governo Milei colocará presos para trabalhar
Medida visa a responsabilizar detentos pela preservação das instalações carcerárias A ministra da Segurança Nacional da Argentina, Patricia Bullrich , anunciou o programa "Mãos para Trabalhar" , que visa obrigar todos os presos do país a realizar trabalhos nos centros penitenciários. A medida foi divulgada na última quinta-feira, 17 de outubro, e lançada no Centro de Detenção Federal Feminino em Ezeiza. O objetivo principal do programa é que os detentos assumam a responsabilidade pela manutenção dos edifícios em que estão detidos, contribuindo diretamente para sua conservação. De acordo com o Ministério da Segurança , o programa contará com um sistema de controle de horário por biometria, monitorando a participação dos presos. Em sua fala, Bullrich enfatizou que o programa busca aliviar o fardo financeiro sobre os cidadãos argentinos, que acabam pagando impostos para sustentar as prisões, onde estão muitos indivíduos que cometeram crimes graves como roubos e assassinatos. Essa iniciativa faz parte das diretrizes do governo de Javier Milei , que pretende expandir o programa para todo o sistema penitenciário da Argentina, promovendo uma maior integração dos presos no trabalho carcerário e buscando tornar as prisões mais autossustentáveis. Resgate o jornalismo assinando a Revista Timeline, clique no botão abaixo
- Grupo do BRICS anuncia 13 novos países parceiros
O anúncio foi feito no último dia da cúpula do BRICS na Rússia, descubra quais são os novos países parceiros O encontro do BRICS deste ano, que começou oficialmente na terça-feira (22) na Rússia, anunciou nesta quinta-feira (24) a entrada de 13 países como parceiros do grupo. Argélia Bielorrússia Bolívia Cuba Indonésia Cazaquistão Malásia Nigéria Tailândia Turquia Uganda Uzbequistão Vietnã Estes países por enquanto não entram como membros plenos. Atualmente o BRICS possui como países membros Brasil, Rússia, China, India, África do Sul, Irã, Etiópia, Egito e Emirados Árabes Unidos. Membros plenos têm direitos de voto e participam de todas as decisões e cúpulas principais, enquanto os parceiros se envolvem de forma seletiva e podem manter participação em outras iniciativas internacionais. Embora os novos países parceiros não sejam imediatamente admitidos como membros plenos, eles poderão ser considerados para a adesão no futuro. Resgate o jornalismo assinando a Revista Timeline, clique no botão abaixo Moeda do BRICS Nesta quarta-feira (23), segundo dia da cúpula do BRICS, foi apresentado um modelo de uma nota no valor de 100 do que poderia ser a moeda do BRICS. A nota apareceu na mão do ditador russo, Vladimir Putin. A nota apresentada traz as bandeiras dos cinco países membros do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) conectadas em forma de círculo. No verso da cédula, aparecem várias outras bandeiras, possivelmente representando países interessados em se juntar ao bloco, como México e Bahrein. Embora o lançamento oficial da nova moeda do BRICS ainda não tenha sido formalmente anunciado, o tema é sido o centro das discussões do grupo há anos. Essa seria uma solução para a Rússia recuperar sua economia e contornar as sanções e bloqueios econômicos feitos pelos países do ocidente contra Rússia devido a sua guerra contra a Ucrânia. Também nesta quarta-feira (23), o ditador chinês, Xi Jinping, anunciou que o grupo pretende lançar um meio de pagamento global próprio. Resgate o jornalismo assinando a Revista Timeline, clique no botão abaixo
- As origens do Jiu-Jítsu – Parte 3
A Influência do Sumô e do Kumiuchi no Jiu-Jítsu O Sumô, hoje, é um esporte de combate ritualizado e muito diferente do que conhecemos como Jiu-Jítsu. Suas raízes estão profundamente ligadas a rituais religiosos e à agricultura. E o Sumô foi sendo moldado, ao longo de séculos, por influências culturais, religiosas e militares. Muitos estudiosos o consideram uma das artes marciais e tradições culturais mais antigas do Japão. Sua origem remonta a mais de 2.000 anos, com registros de combates que datam do período Yayoi (300 a.C. - 300 d.C.). Suas origens mitológicas são ainda mais antigas. Segundo uma das lendas escritas no “Kojiki” ou o “Registros de Assuntos Antigos” (712 d.C. - clã Yamate), o Sumô foi usado para decidir o controle das terras japonesas em um combate entre dois deuses: Takemikazuchi No Kami e Takeminakata No Kami. Nesse combate, Takemikazuchi venceu a luta, simbolizando a vitória do clã dos deuses sobre os humanos, garantindo o controle do Japão. Essa história reforça a ideia de que o Sumô estava intimamente ligado ao destino do país e à sua ordem social, contribuindo para a tradição de respeito, honra e hierarquia, características comuns às artes marciais japonesas. Desenvolvimento no Período Nara e Heian (séculos VIII a XII) Durante os períodos Nara (710 - 794) e Heian (794 - 1185), o Sumô começou a ganhar mais popularidade entre a corte imperial. Ele foi formalizado como entretenimento para a nobreza e para as famílias imperiais. Durante festivais ou eventos importantes, competições de Sumô eram organizadas. Essas lutas ainda tinham elementos cerimoniais, porém o aspecto competitivo começava a emergir. Nessa época, também surgiram registros formais de lutas e regras que moldariam o Sumô como um esporte. As técnicas usadas nas lutas eram simples (abandonando o aspecto brutal usado anteriormente), baseadas em empurrões, pegadas e quedas, mas sem as regras complexas que vemos atualmente. Mesmo assim, às vezes, as lutas eram violentas, como a que foi vista pelo Imperador Suinin em 23 a.C., na qual Nomi No Sukune matou Tayma No Kuehara. Influência Militar e Evolução no Período Kamakura e Edo (séculos XII a XIX) Com o advento do período feudal, o Sumô se tornou uma forma de treinamento para os samurais. Durante o período Kamakura (1185 - 1333), quando o Japão estava sob o domínio militar dos xoguns (ditadura militar japonesa), o Sumô foi usado para preparar os guerreiros para o combate corpo a corpo nos campos de batalha. Nesse contexto, ele se aproximou das artes marciais, com técnicas de projeção e imobilização, que seriam incorporadas na formatação do Kumiuchi, do Jiu-Jítsu e de outras artes marciais. O Kumiuchi (luta agarrada) começou a ser formatado no período Kamakura (1185 - 1333), durante as guerras frequentes entre os clãs samurais, enquanto o Sumô seguiu sua própria evolução. Nesse período, as batalhas eram muitas vezes travadas com armaduras pesadas – espadas, lanças e outras armas –, mas, quando a luta se aproximava, as armas de longo alcance se tornavam inúteis, e os guerreiros precisavam recorrer ao combate corpo a corpo. Por causa das armaduras que os samurais usavam, os golpes diretos com punhos ou pés eram menos eficazes, daí a necessidade da luta agarrada (Kumiuchi), que se concentrava em técnicas de arremesso, controle de membros e imobilizações que poderiam neutralizar o oponente ou criar uma oportunidade para usar uma adaga curta para um golpe final. Após a batalha de Sekigahara (1.600 d.C.), o Japão foi unificado sob o xogunato de Tokugawa Ieyasu, dando origem ao período Edo (1603 - 1868), um intervalo de alguns séculos de relativa paz. Como durante esse período praticamente as batalhas entre os clãs acabaram, não fazia mais sentido treinar o Kumiuchi (com armaduras) e, por isso, essa técnica ou arte (Jítsu), passou a ser mais flexível, adaptável ou suave (Jiu), e o treinamento começou a ser feito com as roupas normais da época, visando à defesa pessoal. Nasciam assim, os estilos (ryu), que ficariam conhecidos como Jiu-Jítsu. CARLOS LIBERI – Mestre de Jiu-Jítsu, faixa-coral (sétimo grau); membro do Conselho Diretor da Gracie Barra Flórida, instrutor-chefe da GB Sanford e da GB Campinas. Especialista em história e filosofia das artes marciais pelas Faculdades Integradas de Santo André (FEFISA). Resgate o jornalismo assinando a Revista Timeline, clique no botão abaixo
- À procura de um partido conservador
O Brasil é refém dos balcões de negócios partidários O número de partidos políticos no Brasil diminuiu, mas o balcão de negócios continua a todo vapor. Os conchavos para as eleições municipais, os conluios para a eleição dos presidentes do Senado e da Câmara e o olho gordo espichado para 2026 indicam que o bem do país não tem assim realmente tanta importância. O PSD, que fez o maior número de prefeitos este ano, está, por enquanto, nos braços do PT, que levou a corrida presidencial de 2022, mas teve resultado pífio em todas as últimas eleições desde 2018. Tentar explicar esse “fenômeno” pontual será sempre expor-se a riscos, num Brasil em que o debate foi banido e as “verdades” são impostas com ameaças graves a quem ousar duvidar delas.
- Inovação, transparência, compliance... para quem?
Cidadania se faz com cobranças As três palavrinhas do título permeiam quase todos os discursos que ouvimos atualmente. Há outras mais, tais como narrativa, propósito, engajamento, sustentabilidade… nas bocas de executivos, políticos, jornalistas. Ouvimos essas palavras de todos, de dirigentes esportivos, do industrial, do sindicalista ou do dirigente de ONG. Do Papa aos paparazzi , passando pelos partidos políticos brasileiros, que, aliás, em pesquisas realizadas pelo Observatório da Comunicação Institucional, em 2014, 2016, 2018 e 2020, demonstraram que não se distinguem perante o eleitor e não se comunicam bem com a cidadania. Temo que todos mintam, omitam, tergiversem, pois quando surge uma verdadeira inovação nos ambientes de trabalho em que tenho circulado – e não são poucos – o que observo é mais medo de mudança do status quo do que loas à inovação e à sua eventual contribuição. O que mais encontro, infelizmente, são a mesmice, a modorra, o enfado, o “cumprimento de tabela”, sempre pelo mínimo, e o onipresente estado de “me engana que eu gosto…” Nos corredores universitários e até em algumas empresas “pontocom”, mas, principalmente, nas organizações governamentais. Transparência? Só nos discursos, porque, nas práticas, nunca! Palavra bonita, tentadora, sempre aparece nas promessas. De todo mundo. Mas o que dizer sobre a entrega da tal transparência? Não se fala tanto em ser bom de processo, em ser bom no delivery ? Nada disso. Opacidade total. Compliance – ou aderência a normas preestabelecidas – para quem? Para o seu fornecedor, talvez, chantageado pela exigência formal, mas não para você mesmo, que sempre arranja um jeitinho de acomodar os ânimos, as coisas erradas e suas consequências. Ah… esses cordiais brasileiros… O presidente do Senado Federal discursa que “…esta Casa é a instituição mais transparente do país”. Não é! Montadoras, usinas, empreiteiras e mineradoras (dizem que) agem inteiramente “em conformidade com os mais altos padrões de conduta ética, pautadas pela legislação em vigor e segundo os regulamentos do setor...”. A petroleira – de práticas corruptas generalizadas há anos – sedia um seminário sobre excelência em governança corporativa. E o evento, por sua vez, é coberto “com exclusividade” (claro… é um evento patrocinado) – a peso de ouro – pelo próprio veículo “da grande imprensa” que diz primar por qualidade, mas que entrega, de verdade, um diário cada vez mais mirrado após o enésimo “passaralho” aplicado à sua Redação. Caríssimas faculdades – públicas, às custas de todos os cidadãos –, e particulares, as quais muito pesam no orçamento dos próprios estudantes e dos pais de família – vendem capacitação para inovar em seus outdoors , mas comprimem o pagamento das horas-aula e principalmente as demais horas de que um professor precisa para bem realizar o seu ofício – preparação, correção de trabalhos e provas, orientação de trabalhos de conclusão de curso etc. A cidadania tem de exigir mais ação, mais correção, menos discurso e menos desvios de conduta. A sociedade tem de escrutinar o trabalho dos governantes e parlamentares que elege. E estes, por sua vez, devem prestar contas de seus atos, periódica e sistematicamente. Lembro aqui o bom exemplo da Amarribo. O cidadão, o consumidor, todos têm de ser mais atentos com o que compram e com o que contratam. Só assim, em um nível mais elevado de prestação responsável de satisfações públicas (versão que o Observatório da Comunicação Institucional propõe para o termo accountability por parte das organizações), é que poderemos, no Brasil, atingir outro – mais alto – patamar de civilidade e de civilização. Riquezas? Temos. Instituições, idem. E arrecadação também. O que nos falta, então? Resgate o jornalismo assinando a Revista Timeline, clique no botão abaixo Manoel Marcondes Machado Neto, bacharel pela UERJ, mestre pela UFRJ, doutor pela USP e pós-doutor pela UFF – sempre em Comunicação –, é cofundador e diretor-presidente do Observatório da Comunicação Institucional, sociedade educativa sem fins lucrativos criada em 2013, no Rio de Janeiro.
- Beethoven: uma visão em retrospectiva
O gênio, a obra épica e a humildade “Após uma vida de lutas, Beethoven, encerrado em seu túmulo, continua a lutar”. A frase de Romain Rolland, biógrafo do mais conhecido filho de Bonn, em sua obra Beethoven (Edições Cosmos, Lisboa), mostra uma vez mais que a força da obra de Beethoven reside, em grande parte, na ruptura que ela cria com o passado, enraizada nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade propostos pela Revolução Francesa, que não somente desestabilizaram e espalharam uma onda de terror sobre toda a aristocracia do velho continente, mas também ganharam peso e volume sobre os inúmeros rascunhos musicais do compositor, transformando a visão musical e cultural de sua época. Quando o jovem Ludwig ainda não havia completado os 17 anos, já havia perdido a mãe e quatro irmãos, tornando-se arrimo de família. O pai era alcoólatra. Nunca conseguindo realizar seu sonho de ter aulas com Mozart, a quem tanto reverenciava, teve em Haydn seu grande mestre. Dez anos mais tarde, surgem os primeiros sintomas da surdez justamente naquele que deveria ter na audição o seu sentido mais aguçado. Una-se a isso o seu afastamento voluntário da classe artística e cultural como um modo de encobrir sua deficiência auditiva (Testamento Heiligenstadt). Como afirma o crítico musical Arthur Nestrovski: “Os bons músicos tocam Beethoven com a malícia de Haydn e a naturalidade de Mozart, devidamente homenageadas e destruídas pelo espírito de Beethoven”. Sem dúvida, o fogo trazido pelos ideais iluministas encontrou a lenha precisa e exata de uma vida pessoal carregada de sentido de contestação, de revolta agressiva e de muito sofrimento, características seguras para todos aqueles que querem entender e interpretar sua obra. Na tentativa de entender essa ruptura, o literato E. T. A. Hoffmann (1776 - 1822) pôs-se a redigir uma série de ensaios visando a precisar a compreensão da obra de Beethoven. Curioso é verificar que as palavras crítica e crise provêm da mesma palavra grega krinein , que significa “quebrar”. Fazer uma crítica é quebrar, é colocar em crise uma ideia que se fazia dela, identificando o que compõe uma obra, questionando hábitos de compreensão, situando a interpretação, não se limitando simplesmente a opinar baseados exclusivamente nos prazeres da escuta – o famoso “gosto” ou “não gosto” -, mas na construção objetiva de um consenso sobre a obra. Isso não é arrogância, mas abertura para novos paradigmas. Foram essas análises de Hoffmann sobre a grandiosidade da obra de Beethoven que originaram o conceito e a figura do crítico musical como conhecemos hoje em dia. Curiosamente, a obra de Beethoven é em si mesma uma crítica, na medida em que é ruptura. Paralelamente, o piano – instrumento no qual Beethoven se apoiava completamente para elaboração de suas composições – passava por profundas transformações, também em extensão, saindo de suas 63 para 79 notas. Esse aumento coincide com as composições de Beethoven que utilizam a extensão como fator dramático. Suas 32 sonatas, terreno no qual Beethoven reinventa a música, apresentam tal força que até mesmo Brahms, movido por um instinto suicida de autocrítica, destruiu mais da metade de suas próprias obras – que infelizmente nunca chegaremos a conhecer – por ter que dar conta da desproporção que julgava existir entre o seu talento e o do grande mestre. Vê-se que a música de Beethoven tocava profundezas psíquicas, também porque nelas tinha a sua origem. A perda precoce da mãe e da irmã – figuras femininas que Beethoven idolatrava – e a profunda aversão à figura paterna foram as responsáveis, em grande parte, por sua instabilidade emocional e afetiva, um certo desajuste, carecendo desde sua infância do apoio necessário que a psicologia feminina traz. Certamente, os ideais libertários e revolucionários europeus do fim do século XVIII foram o desaguadouro que Beethoven encontrou como forma de dar vazão a possíveis abalos afetivos, criando aí o gérmen do contundente caráter épico de muitas de suas obras, como observado em suas Overtures Coriolano e Egmont. Esse caráter psicologicamente dicotômico e ao mesmo tempo épico pode ser rapidamente detectado pelos ouvidos atentos daqueles que se deparam com a sua sonata Op. 57 “Apassionata”, em que os temas desenvolvidos pelas mãos direita e esquerda do pianista sempre estão levemente defasados: é a figura do desajuste, do descompasso das duas psicologias em busca de harmonia e coesão (assista ao vídeo exemplificativo). E parece que Beethoven não se preocupa em resolver essa dicotomia. Pelo contrário, a explora, mostrando um lado interno que está em contínua busca e que é o motor de sua capacidade produtiva. Em Beethoven, isso ocorre de modo impressionante, pois sentimos nele a força interior granítica que o sustentou ao longo de todos os seus problemas físicos e psíquicos. Fisicamente, era um homem comum, provido de aparência pacata, pouco atrativa, como uma concha que, mesmo sendo vulgar, esconde a pérola preciosa. Ouçamos o que descreve a família Fischer, proprietários em Bonn da casa onde nasceu Ludwig: “Ele era baixo, forte, tez escura, ombros largos e de aparência comum, com um nariz redondo, rosto feio, avermelhado e cheio de marcas, talvez de varíola. A análise de sua máscara mortuária revela que seu rosto também exibia outras lesões e sulcos. Seu cabelo era muito escuro e caía, desarrumado, em torno do rosto. (...) Suas roupas eram muito ordinárias, não muito diferentes da moda daqueles dias. (...) Falava com um sotaque forte e de uma maneira bastante comum. (...) Não tinha maneiras educadas, nem nos gestos, nem na conduta. Ele sempre se inclinava um pouco para frente ao caminhar”. Em toda a sua genialidade, Beethoven não se via como absoluto. Estando a boa crítica sempre baseada em autocrítica, admira e cativa verificar a lucidez e sensatez comumente encontradas naqueles que possuem clara consciência do sentido estético do dom recebido. Beethoven afirmava: “O verdadeiro artista não tem orgulho. Ele vê, infelizmente, que a arte não tem limites. Ele tem uma vaga percepção de quão longe ainda está do seu objetivo e, embora outros possam talvez admirá-lo, ele lamenta ainda não ter chegado ao ponto, caminho que seu melhor talento apenas ilumina como um sol distante”. Essa reação de humildade se encontra também em outra carta escrita à cantora Christine Gerhardi: “É um sentimento peculiar ver-se elogiado e, ao mesmo tempo, perceber a própria inferioridade, como eu percebo. Sempre encaro tais ocasiões como uma advertência para me esforçar mais na direção do objetivo inacessível que a arte e a natureza nos impuseram”. Não é necessário nenhum conhecimento prévio para apreciar a boa música e gostar dela. Entretanto, conhecer a história dos compositores e as circunstâncias das composições traz novos elementos à escuta. A música é no domínio dos sons o que a literatura é no domínio das palavras. Desprezar a chance de ouvir os grandes compositores seria o mesmo que proibir a si mesmo a leitura de Shakespeare. Além disso, a música de Beethoven é o único grande acesso que temos para conhecer em profundidade, sem intermediários, esse gênio na sua pura fonte. Fica o convite. Testamento Heiligenstadt Documento sobre sua surdez, cuidadosamente escrito por Beethoven por mostrar sinais de contínuas correções. Datado de 1802, escrito a seus dois únicos irmãos ainda vivos, foi mantido escondido entre seus papéis privados e encontrado após sua morte. O testamento é também direcionado ao mundo em geral. A “Amada Imortal” São muitas as especulações sobre quem seria a mulher a quem Beethoven dirigiu a mais famosa e a mais notória de suas cartas, na busca de estabelecer um relacionamento que pudesse de alguma forma redimi-lo de sua miséria. Como ocorreu com o Testamento de Heiligenstadt, também foi encontrada entre seus papéis depois da sua morte. Alguns afirmam ser Giuletta Guicciardo, a quem dedicou a sua Sonata ao Luar (assista ao vídeo). Outros afirmam ser Josephine von Brunsvik-Deym-Stackelberg, recentemente viúva, em quem Beethoven depositou seu coração apaixonado, sem ser correspondido. Segundo o biógrafo Maynard Solomon, ela seria Antonie Brentano, dez anos mais jovem que Beethoven, pertencente a proeminente família vienense. Álvaro Siviero foi o primeiro pianista brasileiro escolhido a participar, com outros cinco pianistas mundialmente selecionados, da imersão na obra pianística de Beethoven na Fondazione Wilhelm Kempff, centro de excelência mundial nos cursos de interpretação da obra do compositor alemão. Biografias aconselhadas: Lewis Lockwood – “Beethoven: the Music and the Life”. Editora: W. W. Norton & Company; Essa obra se encontra em português, com excelente tradução, sob o título “Beethoven: a Música e a Vida”. Editora Códex. Maynard Solomon – Beethoven. Schirmer Trade Books. Emil Ludwig – Beethoven. Editora Companhia Editora Nacional. Filme indicado: Minha Amada Imortal - Bernard Rose com Gary Oldman, Isabella Rossellini. Resgate o jornalismo assinando a Revista Timeline, clique no botão abaixo
- Quem vazou os planos do ataque de Israel ao Irã nos EUA?
Vazamento levanta suspeitas sobre funcionária da Secretaria de Defesa Um recente vazamento de informações secretas dos EUA sobre os planos militares de Israel surgiu em um canal pró-Irã no Telegram, levantando questões sobre a origem da violação e suas implicações. As informações, supostamente provenientes da Agência Nacional de Inteligência Geoespacial, detalham os planos de retaliação de Israel contra um ataque com mísseis iranianos no início deste mês. Os documentos vazados incluem informações sobre as aeronaves, munições e exercícios militares planejados para a operação, embora não revelem alvos específicos ou a totalidade da possível ofensiva. O vazamento gerou ampla preocupação tanto em Washington quanto em Jerusalém. Embora ainda não esteja claro quanta informação adicional classificada pode ter sido comprometida, a possibilidade de que ela caia nas mãos iranianas pode ter sérias consequências para a segurança e as operações militares de Israel. Especulações indicam que o vazamento pode ter vindo de dentro do governo dos EUA. Robert Malley, o agora suspenso enviado especial dos EUA para o Irã, tem sido alvo de escrutínio por supostamente armazenar material classificado em dispositivos pessoais, que teriam sido acessados por um ator cibernético hostil. As ligações de Malley com a Iran Experts Initiative, um grupo com simpatias pró-Irã, também levantaram preocupações sobre possíveis conexões com o vazamento. Essa violação ocorre em um momento em que o governo Biden tem expressado apreensões sobre a forma como Israel está lidando com suas ações militares, especialmente em resposta às ameaças do Hamas e de forças apoiadas pelo Irã. As tensões recentes entre Israel e os EUA cresceram, com a Casa Branca atrasando o envio de armas para Israel e pedindo contenção em suas respostas militares. O secretário de Estado, Antony Blinken, também insinuou a possibilidade de reduzir a ajuda militar a Israel, o que aumenta ainda mais a tensão entre os dois países. Diante desses acontecimentos, é provável que Israel adote uma postura mais cautelosa ao compartilhar informações militares sensíveis com Washington. O vazamento aprofundou a desconfiança entre os dois aliados, e as autoridades israelenses podem hesitar em divulgar novas informações até que haja mais clareza sobre a origem da violação e a extensão dos danos. A situação destaca os desafios mais amplos que Israel enfrenta ao navegar em seu conflito multifacetado, especialmente enquanto continua a lidar com ameaças do Hamas, Hezbollah e Irã. Resgate o jornalismo assinando a Revista Timeline, clique no botão abaixo Suspeita sobre funcionária da Secretaria de Defesa Nesta terça-feira (22), o jornal Sky News Arabia afirmou que um alto funcionário do Pentágono teria revelado um relatório que identificaria Ariane Tabatabai, chefe de gabinete do Secretário Assistente de Defesa para Operações Especiais, como a principal suspeita do vazamento. Tabatabai, que é de origem iraniana e atua como oficial da Inteligência Naval dos EUA, estaria sob escrutínio pela divulgação de informações confidenciais. Em 2023, vários membros do Congresso expressaram preocupações sobre seu papel, enviando uma carta ao Secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, pedindo que reconsiderasse sua permanência no Pentágono. A carta dos congressistas solicitava a Austin que "suspendesse imediatamente a autorização de segurança de Tabatabai, enquanto a revisão é realizada, como foi feito com seu ex-supervisor, Robert Malley", mencionou o relatório. Malley, que foi o enviado especial dos EUA para o Irã, teve sua autorização de segurança suspensa anteriormente em meio a preocupações semelhantes. O jornal Washington Post informou nesta terça-feira (22) que os documentos vazados foram compartilhados em um canal pró-Irã no Telegram, que alegou ter recebido as informações de uma fonte dentro da comunidade de inteligência dos EUA. "O FBI está investigando o suposto vazamento de documentos classificados e trabalhando em estreita colaboração com nossos parceiros no Departamento de Defesa e na Comunidade de Inteligência", afirmou o FBI em comunicado. O vazamento de informações, que emergiu na semana passada, gerou grandes preocupações nos círculos de defesa tanto dos EUA quanto de Israel, especialmente porque envolvia planos altamente sensíveis sobre as possíveis ações militares de Israel contra o Irã. *No momento da publicação desta notícia, canais de mídia começaram a negar a informação do jornal Sky News Arabia . O FBI e a Agência de Inteligência de Defesa (DIA, sigla em inglês) estariam investigando vários grupos, organizações e indivíduos que tiveram acesso aos documentos vazados, mas até o momento não teriam identificado um suspeito principal ou sequer secundário. A Revista Timeline segue acompanhando essa história para trazer atualizações. Resgate o jornalismo assinando a Revista Timeline, clique no botão abaixo

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