Desculpem a nossa falha
- Luís Ernesto Lacombe

- 8 de out. de 2024
- 4 min de leitura
Atualizado: 11 de out. de 2024
De Cid Moreira a William Bonner - como construir e perder credibilidade

Quando cheguei à TV Globo do Rio de Janeiro, em 1997, como repórter, Cid Moreira já não era mais o apresentador do Jornal Nacional. Tinha deixado o então principal noticiário da televisão brasileira no ano anterior. Ele fez parte da geração de apresentadores oriundos da rádio. Não participava das reuniões de produção, não se envolvia com o fechamento do jornal, não acompanhava a edição das reportagens que seriam exibidas. Quase sempre, nem passava pela redação, não tendo acesso com antecedência aos textos que introduziriam essas matérias, que no telejornalismo são chamados de "cabeças", e àqueles que eventualmente complementariam a reportagem, conhecidos como "notas-pé". Já no estúdio, minutos antes do início da transmissão, sim, passava os olhos nos textos para se familiarizar com o que leria ao vivo. Mesmo assim, Cid se tornou uma referência no telejornalismo. Sua voz grave, agradável, sem afetação, sua dicção perfeita, isso lhe permitiu conquistar a confiança dos brasileiros, conquistar credibilidade, com base na isenção e no equilíbrio que os apresentadores que o sucederam – jornalistas, e não radialistas – perderiam em apenas duas décadas.
A questão é que os apresentadores de telejornais e programas jornalísticos passaram a falhar miseravelmente, e naquilo que não se pode perdoar. (...) Aboliram-se os fatos, o debate, proibiram-se perguntas, ninguém quer mais saber de "todos os lados da história". As redações foram tomadas por militantes histéricos, por uma gente soberba, querendo "transformar o mundo", seguindo seus próprios preceitos, suas ideias furadas, seus interesses. O jornalismo cortou seus punhos, partiu para a arrogância, passando a trabalhar com "verdades próprias".
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